terça-feira, 9 de dezembro de 2008

PÉTALAS DA ROSA AZUL


Soraya Suzelena de Castro, ou simplesmente Suzi, trabalhava na fábrica de biscoitos Aurora como empacotadora onde cumpria a jornada noturna.
Nas horas vagas, caminhava livremente pelas pastagens da velha fazenda que outrora abrigara sua infância, revivendo um passado que se perdeu no tempo.
Desde de menina, quando circulava entre o cafezal florido e a roseira da colônia, esta plantada pelas mãos tremulas de dona Irene, hoje uma centenária senhora, sempre vestida de branco, a pequena Suzi demonstrava ser uma pessoa diferente aos olhos da sociedade materialista, pois a sociedade pagã não conhecia a benevolência.
Sua dedicação aos idosos e sua bondade para com os animais estavam estampadas na face, e com pequeninos gestos além, muito além da compreensão do cidadão comum, lhe trouxeram alguns dissabores, aborrecimentos estes superados pela força do perdão.
A grande massa acéfala da humanidade, por centena de vezes achincalhava a pequena mulher; não tinham a capacidade de discernir entre um gesto de carinho sem a intenção do retorno e o desprezo pelo precioso metal do mundo mundano. Eles não entendem que com o passar das horas, dos dias, dos anos, o belo, a fortuna, a prosperidade vil, já não se sustenta sobre a carne carquilhada que teima em resistir sem o apoio da ternura no vasto campo da mediocridade.
O chão pisado por Suzi, brilhava feito purpurina em noite de carnaval, deixando um rastro de luminosidade intensa, visível a todos os seres despojados de bens materiais.
O caminho da luz, como descrevera os cavaleiros visionários, é a missão terrena que a pequena notável recebera para trilhar neste deteriorado submundo e a propagação da verdade, o alvará diante da insensatez da maledicência, neste insensato mundo de corrupção e desafetos.
O poder efêmero não corrompeu a ideologia da menina moça e seus passos firmaram-se em diversos prismas luminosos apontam trilhas distintas aos credores da fé. É sabido por toda coletividade que as gotas orvalhadas nas pétalas das rosas é o choro contido da mãe natureza.
Soraya hoje não caminhou pelas alamedas imaginárias da fé.
Não compareceu em seu turno de trabalho.
Não fora vista nas imediações desde seu ultimo adeus.
O comentário é unanimemente tecido junto à população de baixa renda e porque não dizer também junto à estirpe dos maiorais: “A pureza e a benevolência de Soraya sempre fizeram parte de sua personalidade”.
Somente uma pessoa de sangue azul poderia tornar as noites frias de outono em um oásis de esperança, mesmo quando todas as pétalas de todas as flores teimam em abandonar seu caule, lá esta Suzi, uma bela mulher no corpo da rosa azul.
Realidade ou quimera?

4 comentários:

  1. Quero parabenizar o escritor e artista Tadeu Martis pela beleza de seu blog, que sirva de inspiração a todos nós. Um abração. Zapa.

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  2. Oi querido Tadeu!! adorei seu blog...quero parabeniza-lo como escritor e pela beleza de sua sensibilidade...mil beijinhos!!!
    Regina Moura...

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