segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

SOLITÁRIA SILHUETA

No umbigo do Pais, na serra das cobras, região árida do continente, em noites de lua minguante ao longe se avista a chama da lamparina que cintila num murmúrio infindo; lá se esconde numa casinha de taipa coberta de sape a beleza impar de Cerzelina.
Nada de novo há nos passos da pequena mulher morena aos olhos dos nativos; seus conhecimentos, suas desventuras são deveras conhecida na região, mas a vista dos forasteiros tão logo a curiosidade é sanada, estampa-se em seus semblantes a volúpia e sem explicação alguma, a maledicência aflora e paira no ar uma atmosfera aviltante.
Solitária mulher desprovida de sonhos pousa com seu casulo distante dos humanóides; uma falsa impressão de incesto na insensata discórdia, uma batalha campal entre o anarquismo e a ditadura interior.
Nas trilhas do algodoeiro, verdadeiras artérias rasgando a serra das cobras, podem ser vista a distância, as esculturas de Anacleto Mulato, retrato fiel das amarguras vividas em terras outras, ele sim, retratou fielmente os dissabores da silhueta mulher.
Diálogo dispare festejam a nudez na venda de Bororó, numa ilusória comemoração sob o crivo de centenas de comentários jocosos.
Próximo a gruta do ermitão despido de folhagem Cerzelina é posta a baila e a repulsa como tatuagem estão em cada silaba, em cada palavra, em cada frase na boca de Ernesto quando se fala do grande amor passado.
Houve um tempo onde as artérias da mata eram trilhadas a dois, a alegria reinava na comunidade e até as flores embelezavam o caminho do casal como se brindasse o raiar de um novo dia, mas tudo mudou quando os seres do universo visitaram a choupana na ausência do macho.
Contam mundanos historiadores que um ato sexual inter estrelar se dera em plena relva, junto aos olhos do amante e o fruto da proibida paixão, fora levado por seu genitor a galáxia de Kromus onde lá permanece.
Oradores outros, dizem a cada conto que contam, no final de ano, entre os meses de novembro e dezembro um ser atlético de aproximadamente dois metros de vinte de altura, retorna com o rebento aos braços de Cerzelina e o lume de seu sorriso; relâmpago em noites de tempestades será dissolvido pelo longo período de espera até o retorno da aeronave.
Realidade ou quimera?

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