Três horas da madrugada marca o relógio da matriz, solitária mulher na penumbra do quarto a espera do que?
Em cada mente dos habitantes de Zaruws vaga a pergunta.
Sabe-se tão somente que Rebeca era estudante de Astrologia quando conheceu Newton.
Jovem rapaz que tinha por hobbies as estrelas, ele, uma pessoa completamente desconhecido nas imediações, um forasteiro sem rumo e sem direção segundo dona Carlota, a linguaruda de plantão.
Newton acabou conquistando a bela musa dizem os mais antigos. Foi no ultimo inverno da cordilheira, há mais de trinta anos que o sussurro de mulher se transformou em solidão.
Recorda-se o ancião que após a labareda das entranhas de Rebeca, a maldição das chamas acompanhou Rodrigo. Tomado pelo desespero o pobre rapaz tentou a fuga uterina, escondeu-se nos braços de Noêmia; a genitora que nunca teve, implorando perdão aos deuses do Olympus por haver profanado sua deusa.
A purificação da alma estava distante, não seria ele perdoado mesmo que corresse uma maratona e meia, mas também a forca não seria a solução.
Quatro horas da madrugada marca o relógio da matriz, solitária mulher na penumbra do quarto a espera do que?
As estrelas, os astros, o medo, um turbilhão de luzes penetrando no cerne da mente, na formação medieval do karma, a contrição novamente à tona.
O conflito gerado no ventre da ruína paixão, mais que lâmina de aço fere, perfurando a carne carquilhada pela narrativa de anos.
Crer ou não nesse velho enredo, as incontroláveis tempestades nos versos de Pessoa acompanham àquele lugar ermo abrilhantando a história de sua insignificante derrota.
Quando mais precisamos da ternura, do acalanto, do entendimento, nossa mente esta deveras ocupada pela inanição do corpo e a masturbação mental tem por esperma pensamentos sórdidos.
Cinco horas da madrugada marca o relógio da matriz, solitária mulher na penumbra do quarto a espera do que?
Realidade ou quimera?
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
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