sábado, 20 de dezembro de 2008

A CONFRARIA



Tonhotrixacor era um medíocre lorde no reino dos maiorais. Ganhara seu titulo de nobreza sugando o trabalho alheio. Maldoso e intragável até entre os teus que o temiam. Sua prole tão vil quanto o primogênito, buscavam incessantemente os trinta metais.
Certa feita Tonhotrixacor contratou os serviços do ferreiro que por meses trabalhou na confecção dos portais de seu castelo, levou consigo a esperança e a promessa da paga que nuca ocorreu. O pobre homem afogado em dívidas, vaga diuturnamente nas estreitas ruas da contrição, enquanto que o poderoso nobre em seu cavalo alado continua tecendo sua maldade, abocanhando o sobejo do suor honesto, ceifando a existência da natureza cristalina.
Ele! Jamais será punido, pois faz parte da confraria do Y, uma sociedade secreta onde tudo é permitido aos seus: humilhar, destruir, afanar, roubar, saquear, trair; uma verdadeira prostituição, cujo à falseta da digna moral prevalece em meio aos desafortunados.
Perdoe-me, sei que queres saber onde fica o reino dos maiorais, ele esta localizado na galáxia de Merduz, num pequeno planeta ao sul do globo lunar. A sociedade constituída, exceto a nobreza, sobrevive do cultivo da Zubda, uma pequena planta carnívora necessária a sobrevivência da confraria.
Kaladiuns, um cervical que há muito trabalha no plantio da Zubda, proporcionando riquezas ao vago lorde, ousou fitar em teus olhos. Imediatamente Tonhotrixacor procurou pelo Gran Vizir Hembrux, tamanha ousadia não poderia ficar impune.
Os acoites deveriam soar no dorso do laborioso Kaladiuns, mesmo tendo a convicção de sua inocência.
O Gran Vizir reuniu toda a corte e determinou a Faghord seu braço direito: “Kaladiuns será crucificado em praça pública.
Pode ser ele um dos maiores plantador de Zubda, mas não pertence à confraria do Y”. A ousadia de Kaladiuns fora tamanha, suas palavras soaram como vomito dos famintos, um odor indigesto difícil de tragar.
A punição a Kaladiuns já fora definida, mas para a plebe permanecer sob o crivo do medo, era necessário a conotação da legalidade. A falsa justiça estampada no rosto de seus algozes era eminente.
Ele um serviçal, um simples plantador de Zubda, estava sendo julgado por membros da confraria do Y e por mais que se debatesse sua inocência, os abutres aproximavam-se a cada soar do carrilhão.
Kaladiuns não morreu e nem morrerá, pois vivo permanecerá dentro de cada um dos desafortunados e mesmo que temerosos, sempre haverá um canto no reino dos maiorais onde os trabalhadores deixarão de lado suas sanguessugas.
Felizmente tamanha discrepância não ocorre nos dias de hoje em nosso mundo, esse reino dos maiores da confraria do Y, estão anos luz do nosso dia a dia. Aqui, não há maldades e nem revanchismo, somos uma sociedade perfeita, nossos castelos não estão em ruínas.
Realidade ou quimera?

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