segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

O SEGREDO DE SUMATRA

O jovem Plínio Sumatra desde muito vagou livremente pelas vielas do município sem conhecer seus entes, mas desde a infância, nunca rezou pela cartilha de Tristão, o empresário afortunado sem escrúpulo, que sem pudor algum sugava o sangue dos laboriosos trabalhadores de sua indústria de metais, ao contrário, era seu inimigo político.
Certa manhã, na barbearia do Augusto, um ponto de encontro da alta sociedade interiorana, Humberto, o caixeiro viajante deixou escapar um secreto que há muito trazia consigo.
Em suas andanças encontrara Suzana, antiga namorada de Tristão que lhe revelara o mistério que até então havia guardado a sete chaves.
Nesse jogo de movimento estranho onde o pião detém o poder sobre o Rei, Humberto trazia ao tabuleiro outras peças que até então eram tidas como mero expectadores.
Atônitos ficaram todos os presentes; a bomba deveria chegar à boca de Sumatra para que este explorasse politicamente o sigilo e desfavor de seu desafeto.
A incumbência pela localização de Plínio coube ao menino Jonas que como um raio saiu a sua procura, encontrando-o próximo ao regato.
- Senhor, senhor, todos os esperam na barbearia, parece que algo importante vai ser revelado com a sua chegada.
A curiosidade do jovem foi maior que a rectidão de seu espírito e antes mesmo do menino pronunciar uma nova palavra, lá estava ele apostos para o encontro dos demais.
Discretamente Sumatra adentrou na barbearia a curtos passos, instante em que olhos ardentes lhe fitaram num misto de euforia e compaixão.
Percebendo que algo diferente estava acontecendo o jovem político foi logo indagando: “porque mandaram me chamar? Tem algo que preciso saber?”
Como proprietário do local Augusto fora escalado por seus pares a revelar o famigerado segredo, mas temia pela reação do infante.
Tornar público um fato que mudaria de uma vez por todas a trajetória de vida do rapaz, era por demais inevitáveis e pausadamente iniciou sua narrativa; ao término, o semblante juvenil fora se fechando, carregando de ódio sua face pela dor do abandono.
Seria ele o herdeiro da fortuna banhada com o suor dos assalariados?
Certo é que a oposição não contará mais com o jovem político.
Realidade ou quimera.

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