Severino de Castro deixou a Paraíba quando ainda era menino para residir na grande cidade.
Sua genitora deu-lhe um abraço, um beijo e uma rapadura para saciar a fome na longa jornada.
No trajeto entre a dura realidade e seu sonho, quando as estrelas abraçavam o tempo, na madrugada quente de outubro, Severino conheceu Doralice.
A menina mulher compartilhava da mesma quimera de seu par e passaram a compartilhar os dissabores e as alegrias que todo ser humano carrega consigo.
A paixão aflorava com a gana de um digno pura sangue, mas o destino de ambos estavam traçados desde a infância e certamente as estradas a serem trilhadas eram paralelas.
Ainda sobre a carroceria do caminhão, os retirantes traçavam planos que jamais poderiam cumprir.
Doralice era uma menina mulher sonhadora e vislumbrava uma vida que o pobre Severino jamais poderia lhe dar, mas entre o bem querer e a sustentabilidade há uma enorme distância e esta foi sendo trazido a baila ainda na viagem.
No infecto posto de combustível a beira da estrada esburacada ocorreu a primeira discussão do casal, Severino não suportou o olhar de Doralice para o bacana que acabara de estacionar sua Mercedes Benz junto ao bomba de gasolina e num ato desesperado, o apaixonado rapaz a segurou pelo braço, vomitando uma série de palavras de baixo calão, ali a menina mulher percebeu que seu curto relacionamento não iria florir, deu um safanão no amado e correu em direção ao “pau de arara” com a nítida intenção da proteção do coiote.
Não se tem notícias da viagem que se deu da ultima parada até a grande cidade, mas ao chegar na capital Severino estava só e Doralice e o coiote não desembarcaram.
Contam repentistas que Severino tomado pela fúria assassinou o casal e num ato de contrição tornou-se beato de uma noite para outra e ao desembarcar na metrópole prega o evangelho em praça pública.
Outros retratam que Doralice e o coiote nunca existiram e não passaram de personagens do fruto da imaginação de Severino que louco vaga pelas noites frias da barulhenta cidade.
Realidade ou quimera?
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
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