
Todo mundo é filho da outra até que me provem ao contrário; assim começava a narrativa de Elias Carlos no primeiro minuto do novo ano. Percebi naquele exato instante que as horas subseqüentes seriam deveras temerosas, pois tinha o conhecimento necessário de que Carlinhos (assim o conheço) no submundo da melancolia é doutorado.
No logo período de estágio relacionado ao desgosto da própria vida, ele almoçava e jantava tristeza profunda nas constantes recaídas das desilusões mundanas.
Havia certo clima no ar de que na eminente premunição, o figura cairia no abismo da saudade no primeiro acorde musical do ano novo.
Sabe! Confesso que nunca fui muito de paparicar o Carlinhos mais por outro lado, quando a depressão o ataca a coisa é seria demais. Ele tem a capacidade de contagiar a todos que os circundam e quando o a maré é de tormentas temos que sobrepor suas idéias, caso contrário, teremos ao nosso lado um batalhão de afogados e isso eu não ia deixar ocorrer logo nos primeiros segundos da nova esperança.
Tratando de exorcizar a consternação que insistia em se apoderar do sujeito homem questionei de pronto sua preciosa e tão ensaiada frase: Sem essa cara! Em verdade todo muito é gente boa até que se provem o contrário. Vamos deixar esse baixo astral de lado e comemorar a passagem do ano.
Não dei nenhuma fração de segundos para que Carlinhos pudesse reflexionar e tecer comentários sobre a contestação, pois apanhei o moribundo pelos braços, e o trouxe até as luzes da ribalta de onde jamais deveria ter saído.
Elias Carlos foi do inferno ao céu em questão de segundos, pois sua paixão Joanna Lee aparecera repentinamente cumprimentando pelas festividades, acendendo no coração ferido um candelabro de esperança, trazendo de volta a alegria tão necessária nos dias de hoje.
Atônito confesso fiquei; mas no embalo das festividades, apanhei o corcel negro da imensa roda viva, embarcando de vez no carrossel da oportunidade, cuja probabilidade de sermos felizes, esta no âmago de cada solitário viajante em busca de nossos sonhos recheados de sorrisos.
Realidade ou quimera?