
No alto da colina Keroxzen diversos pensadores se acotovelam em torno do liquido precioso extraído da mais pura cevada.
O precioso elixir modela os pensamentos de acordo com o teor etílico ingerido, e com ele, as verdades surgem sorrateiras num misto de indignação e louvor.
Os comentários passam a fazer parte dos diálogos dispares ao redor da távola em plena taverna rubra.
Quem é o felizardo que estará desfrutando de sua bela silhueta nesta quarta feira sombria, pois é sabido que o coxo; seu companheiro de longa data, deveras preocupado esta com o minguado ganho que se anuncia; chafurdado no lamaçal da cobiça assim permanece sem perceber que a seu redor seus algozes estão presentes.
Numa análise mais profunda os pensadores se despojam de seus medos enaltecendo a bela mulher em luto junto a sua aeronave negra que anseia pela nova decolagem, galgando vôos ainda mais altos nos braços de outros taberneiros opositores.
Nos constantes conflitos existencialistas em busca da beleza felina de mulher, estão Ubaldo e Zeca, dois sobreviventes sonhadores a procura do curto espaço de tempo; provido pela migalha da fogosa mulher que às escuras lhe brinda com o sobejo de seu néctar ou tão somente com um riso amarelado da contrição que todos sabemos não existir.
Ubaldo, freqüentador assíduo da taverna rubra e pretenso candidato a candidato na preste digitação do corpo felino, nesse imenso jogo de gato e rato, é adornado com a cobertura impar, passando a pertencer à casta dos doces deleites, soberanos guardiões das cores do fogo.
Zeca, também conhecido por patrão, é o empresário das comunicações e freqüentador da colina, sendo ele um dos mais fervorosos apaixonados pelas belezas naturais do local e porque não dizer, pela formosura de mulher.
Os pensadores continuam exercendo suas sabedorias com o veto imaginário da impunidade, e aplaudindo os dissabores daqueles humilhantes humilhados que de superiores passaram a ser mais um na contabilidade amorosa da silhueta felina.
Quando as garrafas secam e as pernas já não mais obedecem ao comando mental, os pensadores um a um deixam a távola ligeiramente embriagados pelo lume da felina mulher que na clara evidencia de seus pensamentos, clama por um novo apreço, só mais um.
Realidade ou quimera?











