terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Olhos Azuis






Eu a conheci num site de relacionamento dentre tantos que rolam na internet; uma relação surgida do imaginário virtual que em menos de dois meses eram percorrido duzentos quilômetros na madrugada escura, junto ao asfalto esburacado que corta o Pais e norte a sul.
A ansiedade juvenil pulsava no peito do grisalho homem no afã de encontrar a musa de olhos claros, apaixonadamente apaixonada pelos seus azuis.
O vermelho Ferrari faminto de asfalto engolia os quilômetros como num banquete, rompendo barreiras rumo ao norte; no pensamento, a pequena grande mulher em flash provocando alucinações voluptuosas.
Rompia-se o breu da noite com a luminosidade efêmera dos potentes faróis e como um tapete indicativo, a luminosidade conduzia a um só destino que a cada metro percorrido, mais próximo ficava da imaginária redenção.
Como num passe de mágica estava eu postado defronte a praça da matriz da pequenina cidade a espera da concretização da utopia que se iniciara dias antes.
Estranho numa terra estranha a espera da desconhecida mulher que estranhamente me conquistara neste incerto mundo virtual, extraordinariamente a espera da concretização dessa tamanha viagem astral.
De repente, um capuz cobre o rosto da mulher de um metro e meio, onde percebesse claramente a felicidade estampada em sua linda face. Como se há muito fosse velhos companheiros, um caloroso abraço selava a distância percorrida.
A inevitável caipirinha, fiel companheira dos olhos azuis ocultavam a ansiedade felina de mulher e ao mesmo tempo, libertava a timidez das incomodas amarras do pudor.
Vivemos os que nos foi permitido e o que nos foi possível viver.
A longitude companheira da discórdia, aos poucos foi ceifando o bem-querer, e o que era concreto, voltara a ser novamente virtual.
No desacordo do tempo, outro internauta se fez presente nos braços da diva e hoje ocupa o lugar que outrora pertenceu a este navegante que no estado de contrição plena, ainda troca e-mails sonegando sua avassaladora paixão, pois em seu peito, o sol ainda brilha no mesmo lugar.
Realidade ou quimera?

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