quinta-feira, 14 de maio de 2009

FEITICEIRA DO UNIVERSO

Sabe! Há momentos na vida que precisamos da tranqüilidade absoluta, o repouso dos justos e para que possamos atingir o álamo caso isso seja possível.
Eu cheguei cansado do trabalho e não queria ver ninguém a não ser o meu próprio eu e assim mesmo de bem longe, pois creio que hoje eu não me suportaria contiguo.
Engraçado, na noite anterior eu estava nos braços da morena e nenhum desespero passava por minha mente; nenhuma maledicência circulava na memória, estava eu sobrevoando a linha da paixão em céu de brigadeiro. Fico me perguntando como as reações dos seres humanos vão de uma extremidade a outra numa fração de segundos.
Um dia! apenas um misero dia sem a feiticeira do universo e meus pensamentos voam a lugares escusos, desvairadamente apertando o peito gélido, buscando na imaginação seu semblante, tentando adivinhar como, quando e com estais!
Durante toda uma existência ela foi e continua sendo a única mulher que serenamente me transporta em seus braços a ribalta e com seu sorriso de menina me esquece no fundo da coxia como um fantoche ao fim do espetáculo.
Eu não podia permitir que minhas loucas reflexões interferissem no que de belo há entre dois corpos sedentos e tão pouco me deixar abater pelo manto negro do ciúme, isso já o fizera em tempos outros e de todas a ira que fomentava a época, somente o manto azul da solidão trilhou comigo como verdadeiro companheiro de infortúnio.
Certa vez o eremita Josias, um velho sábio que habita a gruta de pedra encravada na serra da esperança me presenteou com um livro de poesias não antes de expressar:
- Somente a literatura transportará seus sonhos e a música é o vetor da alma.
Sinceramente eu não havia entendido a mensagem, mas como todo leigo que se preza, reverenciei seu conhecimento e sorridente o deixei.
Hoje! Creio que compreendo o que o velho sábio me disse ao pé da gruta e seguindo seus ensinamentos coloquei na vitrola um velho “bolachão” e apanhei o livro de poesia que há muito empoeirado permanecia na estante e a farpa que teimava em rasgar o peito foi retirada com toda a mácula que a envolvera.
Ainda navegando em minh´alma o doce sabor de seus deleites, compreendo que por mais que haja um turbilhão nesse mar de conjecturas desconexas, continuarás sendo a feiticeira do universo e eu o senhor de seus sonhos.
Realidade ou quimera?

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