sexta-feira, 29 de maio de 2009

DOR DE AMOR


A noite estava gelada quando a mulher depositou seu belo corpo na cadeira de área entrelaçando entre laços.
Rogério do Prado, completamente embriagado que até então distante estava, se aproximou cambaleante trazendo em suas mãos um litro de aguardente para aquecer o gélido peito de Amanda.
Ao lado, na velha vitrola, tocava um long play tão antigo quando quanto os cabelos brancos do ébrio. Mal conseguia manter-se em pé, mas trazia em seu interior a beleza que somente àqueles que são totalmente emoção conhece; um amor profundo bem maior que qualquer delírio que viesse aflorar, justamente como veio acontecer momentos mais tarde.
Amanda que naquela hora tentou rejeitar a aproximação de Rogério acabou permitindo, afinal, estava mais solitária que a própria noite. Não se sabe ao certo se por carência ou simplesmente por prazer efêmero, a bela jovem senhora de meia idade, tomou a garrafa das mãos do parceiro de infortúnio tragou o liquido ardente como se estivesse degustando o mais nobre dos vinhos.
As horas foram passando como quem passa pela vida todas as tristezas e felicidades adquiridas ao longo da existência, até que a lua alta anunciou que a madrugada chegara o que fora percebido pelo casal ao buscar o último gole na garrafa vazia.
Rogério não permitiria de forma alguma que sua amada de anos deixasse aquele prazeroso momento pelo simples fato de não haver mais nenhum liquido precioso a ser ingerido e sugeriu que fossem até a taberna que aberta permanecia o que de pronto Amanda se colocou a disposição.
Ao chegarem naquele estabelecimento Rogério de estalo percebeu que tinha cometido o maior deslize que um ser apaixonado poderia cometer; na mesa aos fundos do bar lá estava Cincinato, sabido conquistador das redondezas e por quem Amanda nutria uma paixão antiga.
Ela ao avistar sua paixão, imediatamente dirigiu-se a mesa de Cincinato deixando Rogério como se este não existisse.
Percebendo que a concorrência naquele exato instante seria desleal, o pobre homem retornou a sua insignificância não antes de apoderar-se de mais um litro da amarga aguardente que lhe serviria de consolo.
Realidade ou quimera?

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